António Osório
Porque há um sentido / no lírio, incensar-se; / e no choupo, erguer-se; / e na urze arborescente, / ampliar-se; / e no cobre, a primeira cura, / que dou à vinha, / procriar-se.
Olav H. Hauge
Constróis uma casa à tua alma. / E passeias-te orgulhoso / à luz das estrelas / com a tua casa às costas.
Egito Gonçalves (1920-2001)
Por aqui andamos a morder as palavras / dia a dia no tédio dos cafés / por aqui andaremos até quando / a fabricar tempestades particulares
Reiner Kunze
Manhã após manhã o seu toque devasta / o meu sono, como se fosse vontade de deus castigar aqueles / que à noite não conseguem adormecer / no mundo dele
Jorge de Sena (1919-1978)
Para a minha alma eu queria uma torre como esta, / assim alta, / assim de névoa acompanhando o rio.
Paulo José Borges (1969)
Na minha rua viviam // a Brazelina, / a Durvalina / o Porfírio, / a Aureliana / a Miquelina / a Iria / a Mimosa / a Evangelina / o Maximiliano / a Graziela / e até a Liberdade
Alexandre O’Neill (1924-1986)
Não o amor não tem asas / se tem asas são as mãos / que se enlaçam para a festa / maravilhosa do corpo / e entre elas o coração
Nuno Higino (1960)
Precisava duma casa onde coubesse a minha vida toda, soalheira, / abrigada da invernia, distante dos lugares familiares, onde coubesses tu,
Miguel d’Ors
Mal tinha começado, no topo desta folha, / a escrevinhar uns versos quando passa / - com um enorme feixe de milho à cabeça / e estrume nos tamancos - Argimira.
Artur Jorge (1946-2024)
De / folhas / estateladas // a / árvore / - corpo / só - // de / pé / junto aos despojos
Ruy Belo (1933-1978)
Plantados como árvores no chão / ao alto ergueis os vossos troncos nus / e o fruto que produz a vossa mão / vem do trabalho e transparece à luz
Solange Firmino
A asa é um mistério / elaborado no casulo. / Compõe-se de espera / a borboleta. / Decompõe-se / a lagarta
Pedro Alvim (1935-1997)
Sete homens foram presos / quando pela noite / os cabelos puxavam / a uma rapariga.

















