Paulo José Borges (1969)
Na minha rua viviam // a Brazelina, / a Durvalina / o Porfírio, / a Aureliana / a Miquelina / a Iria / a Mimosa / a Evangelina / o Maximiliano / a Graziela / e até a Liberdade
Alexandre O’Neill (1924-1986)
Não o amor não tem asas / se tem asas são as mãos / que se enlaçam para a festa / maravilhosa do corpo / e entre elas o coração
Nuno Higino (1960)
Precisava duma casa onde coubesse a minha vida toda, soalheira, / abrigada da invernia, distante dos lugares familiares, onde coubesses tu,
Miguel d’Ors
Mal tinha começado, no topo desta folha, / a escrevinhar uns versos quando passa / - com um enorme feixe de milho à cabeça / e estrume nos tamancos - Argimira.
Artur Jorge (1946-2024)
De / folhas / estateladas // a / árvore / - corpo / só - // de / pé / junto aos despojos
Ruy Belo (1933-1978)
Plantados como árvores no chão / ao alto ergueis os vossos troncos nus / e o fruto que produz a vossa mão / vem do trabalho e transparece à luz
Solange Firmino
A asa é um mistério / elaborado no casulo. / Compõe-se de espera / a borboleta. / Decompõe-se / a lagarta
Pedro Alvim (1935-1997)
Sete homens foram presos / quando pela noite / os cabelos puxavam / a uma rapariga.
Pedro Homem de Mello (1904-1984)
Quando são mansos, parecem lírios. / Parecem rosas quando são bravos. / A igreja é bosque, cheio de círios, / Gótica igreja, cheia de cravos.
Almeida Garrett (1799-1854)
É lei do tempo, Senhora, / Que ninguém domine agora / E todos queiram reinar.
Maria Marcelina (1921-2005)
Nem sonho / Nem verdade / Ou fantasia / É a Arte que cria / Não cria o sonho / Não é sequer verdade / Mas é sonho / É verdade / E fantasia

















