João Manuel Ribeiro (1968)
Outro e outro e outro / não se cansam os relâmpagos / de beijar a montanha
Pedro Homem de Mello (1904-1984)
Quando são mansos, parecem lírios. / Parecem rosas quando são bravos. / A igreja é bosque, cheio de círios, / Gótica igreja, cheia de cravos.
Rodrigo Solano (1879-1910)
Num ai de luz profundo e soluçante, / Resvala ao mar o sol, como um guerreiro / Que, ferido d'um gladio traiçoeiro, / Na arena cae, vencido, agonisante.
Jorge Gomes Miranda (1965)
Se outras preferiam os tecidos de seda / do desejo / ela dava-se à ganga coçada / do amor / depois de noites mal dormidas.
Nuno Higino (1960)
Precisava duma casa onde coubesse a minha vida toda, soalheira, / abrigada da invernia, distante dos lugares familiares, onde coubesses tu,
Manuel Araújo da Cunha (1947)
Presos nas amarras / inventamos horizontes / Quem me leva / ao corpo do rio / e a morrer dentro dele
Eugénio de Andrade (1923-2005)
É Natal, nunca estive tão só. / Nem sequer neva como nos versos / do Pessoa ou nos bosques / da Nova Inglaterra.
Manuel António Pina (1943-2012)
Real, real, porque me abandonaste? / E, no entanto, às vezes bem preciso / de entregar nas tuas mãos o meu espírito / e que, por um momento, baste

















