Mila Vidal Paletti
Um grosso pingo de chuva / amolece a tarde e as letras do jornal. / Olho a mesa de café coberta
Alexandre O’Neill (1924-1986)
Não o amor não tem asas / se tem asas são as mãos / que se enlaçam para a festa / maravilhosa do corpo / e entre elas o coração
José Alberto de Oliveira (1945)
Por mais que o vento / sopre lá fora // o leite e o mel resplendem / nos ângulos da cozinha.
José Rui Teixeira (1974)
trago dentro de mim um mar imenso / feito de vagas tristes / e sonhos vagos
Artur Jorge (1946-2024)
De / folhas / estateladas // a / árvore / - corpo / só - // de / pé / junto aos despojos
João Luís Barreto Guimarães (1967)
Pelas duas da manhã o gato leva-me / à cozinha para / me dar de comer. Hoje à noite atrasa a hora -
José Alberto Mar (1955)
Enquanto o horizonte é a eternidade de uma linha / vem saber o brilho do ouro a crescer / no fim subterrâneo da terra. Vem sabe
António Rebordão Navarro (1933-2015)
Subjacente à sua voz existe / o mapa da cidade feita aos poucos, / nos pequenos interstícios das crises, / dos ventos e da chuva, da erosão.

















