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Miguel d’Ors

Miguel d’Ors

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ATRAVÉS DA GRADE

Mal tinha começado, no topo desta folha,
a escrevinhar uns versos quando passa
– com um enorme feixe de milho à cabeça
e estrume nos tamancos – Argimira.
Cheia de pressa, diz, voltando-se um momento
como uma cariátide campestre,
vai dar a mama ao quarto dos seus filhos
e logo descerá até à estrada
a botija vazia – o seu marido
trabalha toda a tarde nas gasosas -,
e a ver se lhe dá tempo de juntar-se
ainda à Novena. E, tão feliz,
sorri numa pergunta olhando os meus papéis:
“E tu, o que é que estás aí a rabiscar?”.

Tradução Luís Pedroso

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