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Almeida Garrett (1799-1854)

Almeida Garrett (1799-1854)

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Este inferno de amar — como eu amo!
Quem mo pôs aqui n’alma… quem foi?
Esta chama que alenta e consome,
Que é a vida — e que a vida destrói —
Como é que se veio a atear,
Quando — ai quando se há-de ela apagar?

Eu não sei, não me lembra; o passado,
A outra vida que dantes vivi
Era um sonho talvez… —  foi um sonho —
Em que paz tão serena a dormi!
Oh! que doce era aquele sonhar…
Quem me veio, ai de mim! despertar?

Só me lembra  que um dia formoso
Eu passei… dava o Sol tanta luz!
E os meus olhos, que vagos giravam,
Que fez ela? Eu que fiz? — Não no sei
Mas nessa hora a viver comecei…

in Folhas Caídas

6.
Qual tronco despido
De folha e de flores.
Dos ventos batido
No inverno gelado,
de ardentes queimores 

5.
Seus olhos se eu sei pintar
O que os meus olhos cegou 

4.
Vede em mim funesto exemplo,
Vós, que amores loucos seguis 

3.
A brisa voga no prado
Perfume nem voz não tem; 

2.
Não te amo, quero-te: o amar vem d’alma.
E eu n’alma – tenho a calma,
A calma – do jazigo.
Ai! não te amo, não. 

1.
Se na nossa cidade há muito quem troque o  b  por  v , há pouco quem troque a liberdade pela servidão.

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