I

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O I gastava fortunas em cosméticos para disfarçar a sua pinta que era um sinal de nascença. Mal podia, tornava-se maiúsculo e metia com quantos dentes tinha como só os crescidos conseguem. N...

Granja

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A Granja é o sítio do mundo de que eu mais gosto. Há aqui qualquer alimento secreto. Por Sophia de Mello Breyner Adresen, Granja, Setembro de 1944

H

/ 81 leituras
O H ficava bem à cabeça de qualquer palavra embora não se pronunciasse, pelo que era muito requisitado, quando não assediado. Tinha de inventar desculpas esfarrapadas e etimológicas para não...

G

/ 70 leituras
O G sofria de gaguez crónica. Por isso era muito metido consigo. Também padecia de uma grande paixão secreta pelo C e em tudo tentava imitá-lo. Infelizmente o seu amado já tinha com que se c...

Primavera

/ 310 leituras
a primavera é uma enxurrada de verdura  pelos campos Por Francisco Duarte Mangas, in Diário de Link

F

/ 111 leituras
O F sentia-se leve como um ramo, capaz de baloiçar ao vento e pronto a arrancar a raiz única que o prendia à linha da terra. Apesar da sua aparência frágil era uma verdadeira fera quando des...

E

/ 123 leituras
O E tinha a certeza de ser. Pelo menos dizia que sim. Porém, estranhamente, estava sempre de garras de fora como se fora obrigado a defender-se sabe-se lá que posse de si. Invejava a alegria...

Vivo

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Quem é vivo sempre apodrece. Que é vivo sempre se esquece. Por Regina Guimarães, in Casamata, edição douda correria, outubro 2017, versos do poema X Cama

Camélias

/ 146 leituras
O perfume delas É, talvez, a cor... Pedro Homem de Mello in Pedro, Cabanas 1975, página 89.

D

/ 298 leituras
O D sempre achou que era só metade de si. E vinga-se vivendo à dentada, trincando o vazio como que à procura de meia laranja, meia-tijela ou da metade esquerda do coração. Quando o peito se ...

Outono

/ 408 leituras
1. das aves caem as penas. emigram as árvores à procura de outro sol. Por Francisco Duarte Mangas, in A fome apátrida das aves, Modo de ler, página 195. 2. Fosses tu uma ave o...

Homem(ns)

/ 333 leituras
1. Homem sentado escreve-se com h minúsculo. Por Francisco Duarte Mangas, in O noitibó, a gralha e outros bichos, Editorial Caminho, Setembro de 2009, página 32. 2. São de palav...

Família

/ 202 leituras
A família é um buraco absurdo sobre a casa - uma gruta sem acesso - Por Daniel Faria, in Poesia, Homens que são como lugares mal situados, Edições Quasi, 1.ª edição, Novembro de 2003, pá...

Filho(s)

/ 280 leituras
1. O filho é o carrossel à volta da mãe Por Daniel Faria, in Poesia, Homens que são como lugares mal situados, Edições Quasi, 1.ª edição, Novembro de 2003, página 123. 2. Sons da...

Tabuleta Digital

Vai no Batalha

Eduardo Vítor Rodrigues (1971)

NÃO vamos licenciar novas construções. Vamos legalizar casas e empresas com histórico. São empresas consolidadas no território e também é uma forma de evitar que, por falta de uma licença, possam decidir abandonar Gaia e estabelecer-se em concelhos vizinhos, retirando de cá postos de trabalho.

Rua da Estrada do Futuro

ADIVINHAR o futuro ainda é para muitos uma espécie de bruxedo do antigamente. Consultava-se o mediador comunicante com o insondável para que ele nos antecipasse os nossos medos e esperanças; jogavam-se os dados e as cartas, observava-se o voo das aves, ouvia-se a voz da vidente, do oráculo, da sacerdotisa ou do feiticeiro em busca de interpretações, de enigmas premonitórios que sugeriam isto ou aquilo. O futuro é um tempo problemático. Cronos, o deus grego, tanto era entendido como uma divindade do tempo cíclico das colheitas – por isso era representado com uma gadanha que depois passou a s...

Enigmatógrafo

Enigmatógrafo de Augusto Baptista

/ 499 leituras
Bater no ceguinho dá cadeia?