Inicio O Homem do Saco de Cabedal

O Homem do Saco de Cabedal

Que morre devagar

/ 1050 leituras
E DE quem são as casas, pergunta o homem do saco de cabedal. Olhe, medraram da ruína, lestas como tortulhos em grainha de uva. Foram nossas, do povo da aldeia que morreu devagar, porque ning...

Fala do homem do saco de cabedal

/ 1942 leituras
VENDI o coração ao diabo por um copo de vinho e uma mão cheia de chamas. No vazio do peito dorme agora um seixo afeiçoado, redimido do rio. Tenho no saco de cabedal alguns livros de lirismo ...

Mãos na cabeça

/ 1004 leituras
DEVAGAR caminhavam, as mãos na cabeça. Viam o fascínio fresco do rio, na lentidão dos olhos adoravam as trutas. Nunca estes homens comeram um peixe. Na Primavera subiam, eles e o gado, ao mo...

As palavras

/ 936 leituras
NO ALTO destas pedras, uma mulher, cabelo luzidio e olhos claros, reuniu a pequena comunidade. Falou em linguagem rude, áspera, como a vida de todos. No futuro esperam-nos dias felizes e abu...

O inimigo

/ 1287 leituras
O RAPAZ esticou a fisga. Redondo, como uma maçã, caiu o curioso pisco na erva fresca. Quando chegou ao largo, o rapaz gritou: abati um avião inimigo! Das soleiras das portas, o povo, num esp...

Segundo dilúvio

/ 1210 leituras
PELE branca, olhos azuis. Azuis, como lagos profundos. No mês de maio saía da casa em ruínas: ia com as borboletas na caça de fragrâncias remotas. Colhia flores silvestres, oferecia-as aos c...

Dialogo com o homem do saco de cabedal

/ 758 leituras
DEFENDO a inter-relación das artes, todas elas proceden dun proceso creativo que ten que ver cunha procura de coñecemento do eu, una viaxe interior que sempre vai fluír cara alguén en dispos...

A manta de burel

/ 1002 leituras
POR volta da meia-noite, em locais escusos, fazia a mezinha: queimava arruda na pureza do fogo, cosia a boca aos sapos na época do cio. Sobre a manhã, descia ao rio: levantava a saia longa e...

Jogo

/ 1083 leituras
O FUTEBOL é um jogo viril. Uma espécie de râguebi sem violência. Sorriu, sem perceber muito bem o que lhe queria dizer o homem do cachecol às riscas. A bola, nessa tarde, andava pelo ar: não...

As árvores do bosque

/ 1360 leituras
CANSADO de humanidade, ganhou pelo. Abjurou a marcha bípede, subiu às árvores do bosque: comeu bagas, frutos silvestres e enxotou a fome dos pássaros. A família pôs anúncios nos jornais, dav...

Os homens

/ 1129 leituras
NA FEIRA vende-se o gado, romãs, peles de raposa, enxadas. As gargantas, secas, pedem vinho: hipoteca-se, então, a alma. E nos olhos refulge antiquíssima valentia. O homem bebeu, muito – é d...

Paixão das rãs

/ 1065 leituras
FUMAVA cigarros com pensamentos ecológicos. O jovem casado chamou a mãe. Mãe, mãe, venha ver o menino a andar. Nessa tarde não pescou nada. Nada. Existe algo de misterioso nos peixes. É a lu...

Homem sem terra

/ 1126 leituras
O BOI era o símbolo da valentia da nossa terra. O boi do povo!, explica o homem que tivera de fugir da sua aldeia, porque a barragem tudo engoliu: casa, sonhos, campos, odores, melancolia. C...

Pelos teus lábios

/ 858 leituras
NO Maio como as cerejas pelos teus lábios. Diz o homem do saco de cabedal à rapariga. E a rapariga abandona o largo. A correr, como se fugisse de rude tempestade. Pouco depois, regressam a r...

Tabuleta Digital

Vai no Batalha

Rui Moreira (1956)

Se houver cuidado e proteção está-se a contribuir para uma concorrência leal. Os bons empresários estão interessados neste acordo porque a concorrência mais desleal é aquela que descuida a segurança e a proteção dos trabalhadores.

Rua da Estrada de Atenas

ANDAVAM os antepassados da Angela Merkel nas cavernas por entre ursos e outras barbaridades, quando Péricles edificava Atenas antes das guerras do Peloponeso.  Era assim o mundo, aos encontrões, como sempre. Depois de edificar a Acrópole verificou-se que custava muito lá subir e muito ventosa. De íngreme que era e de caminhos mal empedrados, as quadrigas patinavam e viravam-se de rodas e pernas para cima. Então, depois de muitos séculos prodigiosos, conseguiu-se finalmente domesticar os cavalos de uma maneira diferente de modo a que coubessem às dezenas e às centenas nos motores dos automóv...

Enigmatógrafo

Enigmatógrafo de Augusto Baptista

/ 444 leituras
Quando há problema, mais difícil é resolver o prob ou o lema?