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O Homem do Saco de Cabedal

Dialogo com o homem do saco de cabedal

/ 285 leituras
DEFENDO a inter-relación das artes, todas elas proceden dun proceso creativo que ten que ver cunha procura de coñecemento do eu, una viaxe interior que sempre vai fluír cara alguén en dispos...

A manta de burel

/ 680 leituras
POR volta da meia-noite, em locais escusos, fazia a mezinha: queimava arruda na pureza do fogo, cosia a boca aos sapos na época do cio. Sobre a manhã, descia ao rio: levantava a saia longa e...

Jogo

/ 834 leituras
O FUTEBOL é um jogo viril. Uma espécie de râguebi sem violência. Sorriu, sem perceber muito bem o que lhe queria dizer o homem do cachecol às riscas. A bola, nessa tarde, andava pelo ar: não...

As árvores do bosque

/ 1049 leituras
CANSADO de humanidade, ganhou pelo. Abjurou a marcha bípede, subiu às árvores do bosque: comeu bagas, frutos silvestres e enxotou a fome dos pássaros. A família pôs anúncios nos jornais, dav...

Os homens

/ 1000 leituras
NA FEIRA vende-se o gado, romãs, peles de raposa, enxadas. As gargantas, secas, pedem vinho: hipoteca-se, então, a alma. E nos olhos refulge antiquíssima valentia. O homem bebeu, muito – é d...

Paixão das rãs

/ 935 leituras
FUMAVA cigarros com pensamentos ecológicos. O jovem casado chamou a mãe. Mãe, mãe, venha ver o menino a andar. Nessa tarde não pescou nada. Nada. Existe algo de misterioso nos peixes. É a lu...

Homem sem terra

/ 937 leituras
O BOI era o símbolo da valentia da nossa terra. O boi do povo!, explica o homem que tivera de fugir da sua aldeia, porque a barragem tudo engoliu: casa, sonhos, campos, odores, melancolia. C...

Pelos teus lábios

/ 713 leituras
NO Maio como as cerejas pelos teus lábios. Diz o homem do saco de cabedal à rapariga. E a rapariga abandona o largo. A correr, como se fugisse de rude tempestade. Pouco depois, regressam a r...

Que morre devagar

/ 873 leituras
E DE quem são as casas, pergunta o homem do saco de cabedal. Olhe, medraram da ruína, lestas como tortulhos em grainha de uva. Foram nossas, do povo da aldeia que morreu devagar, porque ning...

Fala do homem do saco de cabedal

/ 1454 leituras
VENDI o coração ao diabo por um copo de vinho e uma mão cheia de chamas. No vazio do peito dorme agora um seixo afeiçoado, redimido do rio. Tenho no saco de cabedal alguns livros de lirismo ...

Mãos na cabeça

/ 735 leituras
DEVAGAR caminhavam, as mãos na cabeça. Viam o fascínio fresco do rio, na lentidão dos olhos adoravam as trutas. Nunca estes homens comeram um peixe. Na Primavera subiam, eles e o gado, ao mo...

As palavras

/ 681 leituras
NO ALTO destas pedras, uma mulher, cabelo luzidio e olhos claros, reuniu a pequena comunidade. Falou em linguagem rude, áspera, como a vida de todos. No futuro esperam-nos dias felizes e abu...

O inimigo

/ 959 leituras
O RAPAZ esticou a fisga. Redondo, como uma maçã, caiu o curioso pisco na erva fresca. Quando chegou ao largo, o rapaz gritou: abati um avião inimigo! Das soleiras das portas, o povo, num esp...

Segundo dilúvio

/ 898 leituras
PELE branca, olhos azuis. Azuis, como lagos profundos. No mês de maio saía da casa em ruínas: ia com as borboletas na caça de fragrâncias remotas. Colhia flores silvestres, oferecia-as aos c...

Tabuleta Digital

Vai no Batalha

Rui Moreira (1956)

NÃO escondo que me desgosta que o país não tenha mais meios do que aqueles que aloca ao combate a este flagelo [tráfico de droga]. Desgosta-me, posso protestar indignado, mas não pode a câmara fazer nada mais do que já faz.

Rua da Estrada da estrada

AS estradas que vão pelas cotas altas das encostas têm larguezas de vistas que nem se imagina. Sigam-se as instruções: onde aparecerem placas a dizer Estrada, certifique-se que essas larguezas de vistas estão mesmo lá; de seguida, procure-se um local bom para paragem (dantes havia uns sinais muito lindos com a silhueta das camionetas da carreira) e pare-se olhando a encosta da outra banda. Chegou o momento da contemplação. Use-se um bom produto para clarear o humor vítreo, a córnea, a pupila e o resto da tralha de ver, e mantenham-se as pálpebras bem abertas. Pode fotografar, desenhar ou or...

Enigmatógrafo

Enigmatógrafo de Augusto Baptista

/ 437 leituras
Quantas freguesias tem uma câmara de ar?