Retrato de Sevilha

/ 118 leituras
HÁ um magnífico poema de e.e. cummings que começa com um indelével amanhecer e lembra-me Sevilha. Não porque tenha assistido a um especial e ardente amanhecer em Sevilha (que também os há, s...

A flor do desespero

/ 188 leituras
O HOMEM que conduzia o táxi trazia uma tristeza lenta e submersa. Nunca desviou os olhos da estrada durante todo o trajecto, a não ser para olhar pelos espelhos, com medo talvez que a cidade...

A felicidade da hora

/ 290 leituras
POR vezes descubro um lugar na cidade onde a beleza é mais perigosa. Gosto de pisar a vertigem, se possível chegar ao delírio íntimo, ou mesmo ao colapso redondo, porque só assim poderei pro...

Agramonte

/ 237 leituras
su cuerpo dejará no su cuidado; serán ceniza, mas tendrá sentido; polvo serán, mas polvo enamorado.  Francisco de Quevedo HÁ um gato que dorme sob a guarda de um anjo, ou talvez seja um ...

Beijar uma pantera

/ 271 leituras
O CALOR vem, rastejante, pelo ar, roubar-nos o equilíbrio, a proporção, o traço melancólico e a noite amável. As noites parecem bombas prestes a rebentar. Sente-se a invasão, a barbárie, um ...

Savall no Salão Árabe

/ 362 leituras
A RIBEIRA tem algo de tesouro a céu aberto, de baú atafulhado de jóias, pedras mais ou menos preciosas, uma infinidade de esquinas, pérolas e igrejas, clarabóias, torres, becos, ruelas, palá...

Ulisses

/ 312 leituras
LEMBRAM-SE certamente do Ulisses, o homem que escrevia poemas instantâneos, impressões nocturnas, cortantes transparências, palavras que ficavam presas ao segredo do papel como animais famin...

Enquanto a luz se asfixia

/ 368 leituras
VELAM os últimos entardeceres da Terra. São jovens, proféticos e bonitos. Vêm de todos os lados e falam todas as línguas. Preferem o cinema iniludível do crepúsculo, a pequena dor absoluta d...

Pornografia

/ 721 leituras
AO projectar luz sobre a glória e a miséria da nudez humana, Egon Schiele tentou redimi-la da sua carga mais negra e libertar o corpo dos seus gestos curtos, premeditados e vazios. Schiele p...

Abaixo de zero

/ 441 leituras
FALA-SE pouco do frio porque o frio não tem voz, não atinge a espessura do mundo como uma verdade inelutável, não chega a gerar acontecimento, passa, como uma catástrofe delicada, através da...

Da escuridão dos teatros

/ 441 leituras
RECORDO, com prazer, a terrível escuridão dos teatros. Antes mesmo de começar a peça, quando todas as luzes se apagam, durante aqueles segundos infindáveis que precedem as aparências, no mei...

O jardim das virtudes

/ 735 leituras
SOU um Walt Whitman frustrado, no Jardim das Virtudes, a tentar escrever um poema no céu. São as nuvens que se movem como palavras demasiado livres para se deixarem fixar num só contexto. O ...

Cidades videntes

/ 637 leituras
FIND what you love and let it kill you”, escreveu Bukowski. Foi mais ou menos isto que eu senti da última vez que estive em Madrid. Senti que a cidade me tinha roubado o controlo e dado uma ...

A síndrome de Fitzgerald

/ 665 leituras
TENHO andado a voar com a prosa de Fitzgerald. Gosto da destreza com que o escritor americano articula tão amavelmente os temas da dissipação, do luxo, excelso e venenoso, do excesso e do ri...

Tabuleta Digital

Vai no Batalha

Rui Rio (1957)

Ich weiss nicht, was sie sagen" ("Não sei do que falam").

Rota das Pirâmides

O EXÓTICO é um desejo; uma máquina de sedução; um domínio geo-semântico que designa um território imenso e quente, desconfinado, longínquo e incerto onde existem coisas estereotipadas, espécie de adereços e ambiências como o cheiro das especiarias, as trovoadas tropicais, as araras, as odaliscas, as palmeiras, os batuques, os camelos, e as pirâmides, por exemplo. O exotismo alimenta-se da nostalgia, do espaço e do tempo, como memória de uma idade de ouro em paragens remotas e tempos perdidos. Depois de Napoleão ter regressado a França após a Batalha das Pirâmides e se terem difundido as his...

Enigmatógrafo

Enigmatógrafo de Augusto Baptista

/ 611 leituras
O telemóvel é um meio de incomunicação?