Rua da Alegria

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SEMPRE me intrigou o nome daquela rua, a facilidade com que um nome tão célere e tão breve cabia numa rua tão apagada e comprida, onde putas e travestis armadilhavam a escuridão e as esquina...

Retrato de Sevilha

/ 319 leituras
HÁ um magnífico poema de e.e. cummings que começa com um indelével amanhecer e lembra-me Sevilha. Não porque tenha assistido a um especial e ardente amanhecer em Sevilha (que também os há, s...

A flor do desespero

/ 342 leituras
O HOMEM que conduzia o táxi trazia uma tristeza lenta e submersa. Nunca desviou os olhos da estrada durante todo o trajecto, a não ser para olhar pelos espelhos, com medo talvez que a cidade...

A felicidade da hora

/ 463 leituras
POR vezes descubro um lugar na cidade onde a beleza é mais perigosa. Gosto de pisar a vertigem, se possível chegar ao delírio íntimo, ou mesmo ao colapso redondo, porque só assim poderei pro...

Agramonte

/ 357 leituras
su cuerpo dejará no su cuidado; serán ceniza, mas tendrá sentido; polvo serán, mas polvo enamorado.  Francisco de Quevedo HÁ um gato que dorme sob a guarda de um anjo, ou talvez seja um ...

Beijar uma pantera

/ 356 leituras
O CALOR vem, rastejante, pelo ar, roubar-nos o equilíbrio, a proporção, o traço melancólico e a noite amável. As noites parecem bombas prestes a rebentar. Sente-se a invasão, a barbárie, um ...

Savall no Salão Árabe

/ 599 leituras
A RIBEIRA tem algo de tesouro a céu aberto, de baú atafulhado de jóias, pedras mais ou menos preciosas, uma infinidade de esquinas, pérolas e igrejas, clarabóias, torres, becos, ruelas, palá...

Ulisses

/ 410 leituras
LEMBRAM-SE certamente do Ulisses, o homem que escrevia poemas instantâneos, impressões nocturnas, cortantes transparências, palavras que ficavam presas ao segredo do papel como animais famin...

Enquanto a luz se asfixia

/ 461 leituras
VELAM os últimos entardeceres da Terra. São jovens, proféticos e bonitos. Vêm de todos os lados e falam todas as línguas. Preferem o cinema iniludível do crepúsculo, a pequena dor absoluta d...

Pornografia

/ 839 leituras
AO projectar luz sobre a glória e a miséria da nudez humana, Egon Schiele tentou redimi-la da sua carga mais negra e libertar o corpo dos seus gestos curtos, premeditados e vazios. Schiele p...

Abaixo de zero

/ 539 leituras
FALA-SE pouco do frio porque o frio não tem voz, não atinge a espessura do mundo como uma verdade inelutável, não chega a gerar acontecimento, passa, como uma catástrofe delicada, através da...

Da escuridão dos teatros

/ 527 leituras
RECORDO, com prazer, a terrível escuridão dos teatros. Antes mesmo de começar a peça, quando todas as luzes se apagam, durante aqueles segundos infindáveis que precedem as aparências, no mei...

O jardim das virtudes

/ 888 leituras
SOU um Walt Whitman frustrado, no Jardim das Virtudes, a tentar escrever um poema no céu. São as nuvens que se movem como palavras demasiado livres para se deixarem fixar num só contexto. O ...

Cidades videntes

/ 741 leituras
FIND what you love and let it kill you”, escreveu Bukowski. Foi mais ou menos isto que eu senti da última vez que estive em Madrid. Senti que a cidade me tinha roubado o controlo e dado uma ...

Tabuleta Digital

Sete Perguntas

Vai no Batalha

Rui Moreira (1956)

NÃO preciso de citar ninguém para dizer que esse comentário [de eleitoralismo] ilustra bem a visão populista de quem esteve distraído por ocasião da conferência de imprensa que demos em Gaia ou por ocasião da cimeira de Sintra.

Rua da Estrada do cada um por si

O PRINCÍPIO ideológico que regula a selva global do capitalismo está a reduzir a fanicos o pouco do solidário que a sociedade tinha: cada um por si, portanto. Não há contos de crianças. Há folhas de cálculo, discursos cinzentos em economês, correctíssimos, e conversas blindadas sobre o efeito da subida de uma taxa nos santos espíritos das hormonas da outra, sobre a sustentabilidade seja lá do que for e assim por diante de palavras feitas de ração granulada e chumbo derretido. Os lugares do Estado e da Política foram tomados de assalto pela ceifeira-debulhadora-enfardadeira da máquina do dinhei...

Enigmatógrafo

Enigmatógrafo de Augusto Baptista

/ 356 leituras
Que eu é aquele que te olha ao espelho?