1.
LIXEIRO
Pendurado num camião do
lixo atravessas a cidade
de bairro em bairro de rua
em rua de beco em beco
com as luvas de proteção e
colete fluorescente. Conheces
como ninguém o cheiro
a azedo e vomitado…
Não te surpreendas se um dia
destes descobrires um coração
ainda a sangrar embrulhado
num saco de supermercado
Jorge Sousa Braga in O poeta nu [poesia reunida], Assírio & Alvim, 2.ª edição, abril de 2014, página 263
*
2.
Encostado à parede
come uma fatia da manhã
e para não te incomodar
desvia o olhar
PML
*
Também ao carro do lixo
custou a acordar. Segue
à minha frente esforçado.
Francisco José Craveiro de Carvalho in Dois primos gémeos, Temas Originais, 2025, página 15


















