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O soba de Biká por Fernando Pessoa

O soba de Biká por Fernando Pessoa

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O soba de Biká, maravilhoso gajo,
Constantemente usava um admirável trajo
Que era feito de pele e de coisa nenhuma.
Havia uma harmonia entre ele e o trajo; em suma,
O soba de Biká, ou de noite ou de dia,
Era sempre da cor do trajo que vestia.
Mas o soba, coitado!, um dia em sua casa,
Sentou-se por descuido em cima de uma brasa,
E, em vez de gritar «Ai, minhas calças!», «Uh!»,
Gritou ele, esquecendo o trajo, «ai o meu cu!»

Pessoa Inédito. Fernando Pessoa. (Orientação, coordenação e prefácio de Teresa Rita Lopes). Lisboa: Livros Horizonte, 1993. – 25.

*

O soba de Bicá,
maravilhoso gajo,
usava um admirável trajo
– que era feito de pele e de coisa nenhuma.

Um dia o soba, coitado,
sentou-se por descuido em cima de uma brasa,
Em vez de gritar «Ai, as minhas calças uhhh!…»,
Gritou ele, esquecendo o trajo,:
«Ai… minha fisionomia contrária».

in O melhor do mundo são as crianças, antologia de poemas e textos de Fernando Pessoa para a infância, por Manuel Nogueira, Assírio & Alvim, 1998, página 20

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