Na doce paz da tarde que declina
após a faina, sob um sol ardente,
vão os bois recolhendo lentamente
pelas vias desertas da campina.
Atravessam depois, a cristalina
ribeira; e a flébil som de água corrente,
bebem sedentos, demoradamente,
numa sensual rudeza que os domina.
Mas quando, fartos d´água, erguendo as frontes,
os beiços escorrendo, olham os montes,
e ouvem cantar ao alto os rouxinóis,
eu fico-me a cismar, calado e triste,
que um mundo de impressões, que uma alma existe
nos olhos enigmáticos dos bois.


















