Impossível imaginar o sono dos peixes. Nem mesmo no canto mais escuro do lago, entre os juncos, o seu descanso é uma vigília: a mesma posição dura uma eternidade; é absolutamente impossível dizer deles: pousaram a cabeça.
De igual modo, as suas lágrimas são como um grito no vazio – incalculáveis.
Os peixes não são capazes de gesticular o seu desespero. Isso justifica a faca romba que salta pelo dorso arrancando lantejoulas de escamas.
in Poesia quase toda, Cavalo de Ferro, tradução de Teresa Fernandes Swiatkiewicz, outubro 2024


















