Manuel António Pina
(Manuel António Pina)
É certo que nada na Net substitui a luminosa ordem do verso de Homero (a não ser os versos de Homero que há na Net), como nenhuma experiência de vida pode ser, se calhar, mais pungente que a despedida de Heitor e Andrómaca. Mas se, como diz Eliot, uma parte do prazer da grande poesia é ouvirmos palavras que não nos são dirigidas (como no One world more de Robert Browning, escrito a Elisabeth), que impede alguém de encontrar (ó escândalo!) prazer parecido, mesmo em má prosa, numa caixa de comentários?
Um netómano confessa-se in JN de 5 de setembro de 2006
Gato num apartamento vazio por Wislawa Szymborska
Morrer não é coisa que se faça a um gato.
Que há de um gato...
Manuel António Pina (1943-2012)
Real, real, porque me abandonaste? / E, no entanto, às vezes bem preciso / de entregar nas tuas mãos o meu espírito / e que, por um momento, baste













