ERVA DANINHA
Não tiveste ainda tempo de
comemorar a vitória sobre
a corriola e já estás de novo
em guerra agora com o escalracho
Preocupado com as beringelas
os tomates os pepinos de conserva
é uma luta inglória a que se
prenuncia A essa erva
outra se seguirá nem que seja
a mais daninha das ervas
– a poesia
Jorge Sousa Braga in O novíssimo testamento e outros poemas, Assírio & Alvim, abril 2012, página 46
*
Todos os dias arranco
uma erva daninha entre
as juntas do meu terraço
Eu podia deixá-las crescer
e depois arrancá-las
de uma só vez
Ou então nem as deixar
crescer bastava betumar
as juntas com cimento
Ou melhor ainda vender
o apartamento e comprar
outro sem terraço ou
uma moradia sem jardim
Mas assim não podia
dizer que todos os dias
arranco uma erva daninha
PML


















