Estou aqui como se te procurasse
a fingir que não sei onde estás
queria tanto falar-te e se falasse
dizer coisas que não sou capaz.
Dizer, eu sei lá, que te perdi
por não saber achar-te à minha beira
e na casa deserta então morri
com a luz do teu sorriso à cabeceira.
Queria tanto falar-te e não consigo
explicar o que se sofre, o que se sente
e perguntar como ao teu retrato digo
se queres casar comigo novamente…
in Livro de Poemas, Dom Quixote, junho de 2026
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NOTA DO EDITOR:
É-me difícil ler “se queres casar comigo novamente”. Sempre que leio esse verso, o meu cérebro leva-me a dizer “se queres casar novamente comigo”. Estou tão habituado à expressão “casar comigo” que, quando lhe é acrescentado um advérbio, parece que a frase perde naturalidade. Para mim, ela tende sempre a terminar em “comigo”. Depois há ainda a rima com “digo”. Não sei. Tal como está no poema, o verso não me soa bem.


















