Se alguém quisesse ser uma tartaruga
seria eu:
fazer de uma secção cónica
a minha própria morada pré-histórica
alojada na espinha dorsal.
Ser tartaruga
tem qualquer coisa de ideal:
desde nova exibe rugas
e, em sentido literal,
cresce com os anos —
quanto mais idade,
maior o tamanho.
Depois do acasalamento,
sem laços familiares,
depois de desovar,
igual a todas e a cada uma,
naturalmente filha da lua,
no entanto
não há divisão
entre si própria e o lugar a que pertence.
Entre tantos avatares,
para mim,
que vivo em mim
— pura urgência sem repouso —,
pouco me importa que seja lenta
a sua marcha à superfície:
isso
faria durar-me
e permitir-me-ia entrar no mar
— que cobre dois terços do mundo —
sabendo que, se me afundasse,
ganharia velocidade.
versão PML



















