Era uma vez
uma fábula famosa,
alimentícia
e moralizadora,
que, em verso e prosa,
toda a gente
inteligente
prudente
e sabedora
repetia
aos filhos,
aos netos
e aos bisnetos.
À base duns insectos,
de que não vale a pena fixar o nome,
a fábula garantia
que quem cantava
morria
de fome.
E, realmente…
Simplesmente,
enquanto a fábula contava,
um demónio secreto segredava
ao ouvido secreto
de cada criatura
que quem não cantava
morria de fartura.
in Diário (I – VIII), Coimbra, novembro de 1995, página 799


















