Nasci há tanto tempo
que, de vez em quando,
ouço o som da água gelada
a passar sobre mim,
mas estou deitado no fundo do rio
e se é para cantar uma canção,
comecemos pela erva,
apanhemos um pouco de areia
e cerremos os lábios.
Nasci há tanto tempo
que não consigo falar
e na margem coberta de pedras,
num sonho, vi uma cidade,
mas estou deitado no fundo do rio
e através da água consigo ver
uma casa alta e uma luz distante
e o raio verde de uma estrela.
Nasci há tanto tempo
que se viesses e pousasses
a tua mão sobre os meus olhos,
não seria verdade,
mas não te posso reter,
e se te fosses embora
e eu não te seguisse às cegas,
também não seria verdade.
in Poems, tradução do russo para inglês de Peter Norman, por Manuel A. Domingos, 1998, página 7


















