1.
Quanto mais nua
mais bela
é a lua
Jorge Sousa Braga in Pó de Estrelas, Assírio & Alvim, novembro 2004, página 16
2.
No céu, a lua não perde a compostura. Mas quando a vemos mergulhada nas águas, treme de frio.
João Pedro Mésseder, in Abrasivas, Deriva Editores, 2005, página 39.
3.
Lua ainda muito alta aspergindo a terra de pó branco.
Raul Brandão, in Os Pescadores, Estante Editora, 2.ª edição, agosto de 2010, página 168.
*
A LUA
1.
Só o sol
faz corar tanto
a lua
2.
No tabuleiro da ponte
viajando lado a lado
com a lua
3.
Noite gelada
Vou trazer a lua
para casa
4.
Noite clara
Vou passear a lua
para a rua
5.
A lua
é a mesma
que nos viu nascer
QUARTO MINGUANTE
A lua não sabe
que está
a minguar
Meia-lua no céu
a outra meia
na barriga da vaca
QUARTO CRESCENTE
Com aquele arco
acerta em cheio
no coração do sol
DIRETO DA GUERRA ISRAEL -IRÃO (13-06-2025)
A lua que vi
em Telavive
chegou até aqui
PML
*
A lua é como um espelho embaciado
pelos suspiros das raparigas
E a noite veste-se com o seu brilho como a tinta preta
se veste com o papel branco
Ben Burd el Nieto (versão para português de PML)
*
A lua, muito redonda e cor de púrpura, levantava-se à flor da terra, ao fundo da campina. Subia depressa entre os ramos dos choupos, que a ocultavam aqui e além, como uma cortina negra, esburacada. Depois apareceu, radiante de brancura, no céu vazio que iluminava; e então, afrouxando, deixou cair sobre o rio uma grande mancha, que produzia uma infinidade de estrelas; e o clarão de prata parecia torcer-se até ao fundo, como uma serpente sem cabeça coberta de escamas luminosas. Aquilo assemelhava-se também a qualquer monstruoso candelabro, de onde gotejavam, a todo o comprimento, pingos de diamante em fusão. A noite doce espalhava-se em volta; toalhas de sombra enchiam as ramagens.
Gustave Flaubert in Madame Bovary, Livraria Civilização Editora, 1999, tradução de Daniel Augusto Gonçalves, página 218
*
LUA
Mamífero metálico. Nocturno.
Vê-se-lhe
o rosto comido por um acne.
Sptuniks e sonetos.
Nicolás Guillén, O grande Zoo, tradução de Carlos Pereira, editora Centelha, Coimbra 1973, página 30


















