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Óscar Possacos (1962)

Óscar Possacos (1962)

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6.
convinha-me um rosto interior térreo,
para dizer bom dia aos meus amigos.
às vezes navegamos as margens da página
como se não houvesse segmentos nem demolições
e desenhamos elipses para respirar melhor.
às vezes, sentados no meio do tempo,
desfolhamos desoras de memórias
como se não houvesse embora,
bons dias arados a dedos de palavras.

mas, cedo a vertigem, outra vez.
cedo um fugir de portas,
debaixo de água.
cedo as páginas truncadas,
expulsadas de nós,
eclipse das margens.
cedo a voz que não cala
e que a bigorna talha.
mas   dança   dança   dança

5.
Escrevo-te de um país onde a língua
habita o céu-da-boca.

A língua é de carne. O céu é de carne
e a atmosfera, com forte actividade tectónica
é feita de pensamento e carne.

A boca utiliza muito a língua,
que às vezes fala com o coração.

P.S. No meu país a língua também se escreve
e há poetas, actores, ventríloquos
e outros operários.

4.
mexe – para alegria dos pássaros
pousados nas linhas
da mão aberta – 

3.
atas-me a um rio
corrente, leito dúctil
de um ombro. 

2.
vertes uma vasilha
vestido engelhado
cheio do teu braço. 

1.
estamos onde somos 

7 perguntas a Óscar Possacos

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