1995
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José Régio (1901-1969)

José Régio (1901-1969)

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1995

7.
Ícaro

A minha Dor, vesti-a de brocado,
Fi-la cantar um choro em melopeia,
Ergui-lhe um trono de oiro imaculado,
Ajoelhei de mãos postas e adorei-a.

Por longo tempo, assim fiquei prostrado,
Moendo os joelhos sobre lodo e areia.
E as multidões desceram do povoado,
Que a minha dor cantava de sereia…

Depois, ruflaram alto asas de agoiro!
Um silêncio gelou em derredor…
E eu levantei a face, a tremer todo:

Jesus! ruíra em cinza o trono de oiro!
E, misérrima e nua, a minha Dor
Ajoelhara a meu lado sobre o lodo. 

6.
Sim, bem sei que o tablado em que figuro
Longe está bem de mim léguas e léguas.
Minhas pupilas viam longe… e eu cego-as;
Mas sei que finjo achar o que procuro. 

5.
Natal

Mais uma vez, cá vimos
Festejar o teu novo nascimento,
Nós, que, parece, nos desiludimos
Do teu advento! 

4.
Fado do grande e horrível crime

Por essas feiras do alfoz
Do Porto, leal cidade,
Brutal e triste, uma voz
Levanta um pregão feroz
De crime e fatalidade.

(…) publicado in Ao Porto, colectânea de Poesia sobre o Porto, organização de Adosinda providência Torgal e Madalena Torgal Ferreira, Publicações Dom Quixote, 2001, página 174.

3.
O Fado nasceu um dia,
Quando o vento mal bulia 

2.
Não me peças palavras, nem baladas,
Nem expressões, nem alma… Abre-me o seio,

1.
Dentro de mim me quis eu ver. Tremia,
Dobrado em dois sobre o meu próprio poço…

Breve biobibliografia de José Régio 

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