– Se sou higiénico ou não depende da utilização.
Por José Niza in Poemas de Guerra, Edição O MIRANTE, Abril 2008, página 60.
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ESTRATÉGIAS
1.
Água
pedras (sem arestas)
artefactos de cerâmica
espátulas de madeira
tersórios
esponjas marinhas
folhas de couve
conchas
pescoços de ganso
(os preferidos de Rabelais)
rolos de papel
2.
Na falta de papel
até um poema serve
Jorge Sousa Braga in A flor cadáver, Assírio & Alvim, setembro 2024, página 41
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HÁ o papel-moeda, o papel-bíblia, o papel couché, o papel higiénico, o papel mata-borrão, o papel reciclado e outros papéis que nos dispensamos de enumerar. Todos eles assim designados de acordo com a sua função ou características. Contudo, nunca se deu a palavra ao papel para dizer de sua justiça o que pensa daquelas atribuições ou qualidades, ou até para sabermos do seu estado de alma. Para sermos sinceros, o papel do papel foi sempre muito passivo, absolutamente omisso. Chegou, por isso, o dia de darmos voz ao papel. Tendo em conta a idade do papel, teremos muito a aprender com a sua experiência. E que dizer dos seus sonhos? Não podemos deixar que fiquem no papel. É urgente concretizá-los. Que fale o papel!
Se sabe ou desconfia o que o PAPEL-PENSANTE pensa sobre certos objetos ou sobre certas situações envie-nos esse pensamento para geral.correiodoporto@gmail.com.
Lembramos que o PAPEL-PENSANTE, por regra, pensa curto, é muito objetivo e, de quando em vez, tem graça.


















