Senhora Morte, tenho o prazer de lhe dizer
que há rasgões no seu longo casaco negro. Hoje,
Rumi (falecido em 1273) veio visitar-me — e não foi a primeira vez.
É certo que não falou com a língua, mas sim a partir da memória,
e ainda não sei se era baixo ou alto.
Mas era tão real como a árvore sob a qual me encontrava.
Só porque algo é físico não quer dizer que seja o mais importante.
Ofereceu-me um ou dois poemas, depois prosseguiu caminho, a passo lento.
Fiquei ali sentada por instantes, sentindo-me contente
e sentindo também a árvore contente.
Não está tudo interligado?
E um dos poemas continha uma árvore, por isso, claro,
a árvore sentiu-se incluída.
Assim é Rumi, que não tem dificuldade nenhuma
em escapar ao seu longo casaco negro, ó Senhora Morte.
Tradução PML


















