Não permanecerá na noite uma só estrela
nem a noite permanecerá.
Morrerei e comigo a soma
do intolerável universo.
Apagarei as pirâmides as medalhas
os continentes os rostos.
Apagarei a acumulação do passado.
Farei em pó a história; o pó em pó.
Estou olhando o último poente.
Ouço o último pássaro.
Deixo nada a ninguém.
in Museu & Outros poemas, Jorge Luis Borges, Fenda, 1982, tradução de Jorge Sousa Braga


















