Mãe nós morávamos na Estrada
que ficava ao pé da Laranjeira
do outro lado era a quinta do Teixeira
com arame farpado sobre o muro
bola que lá caísse nem em poço escuro
mas havia sempre rapazitos
vestidos de farrapos
que vencendo as pedradas os gritos
o medo a zunir como um enxame
pulavam o arame
voltando em triunfo com a bola
presa na camisola
Por mais barreiras reais ou de reclame
sempre há de haver meninos que pulam o arame
in Poemas, Editorial Caminho, setembro de 2025
NOTA DO EDITOR: Gosto deste poema, mas gostaria mais dele sem os dois últimos versos. O poema não precisava de ser explicado. Se ficasse pela camisola, ficava perfeito. Com a explicação, há como que um desmancha-prazeres.


















