Só quando estás de frente
para a barragem
tomas consciência
da água estagnada
Se dependesse de ti
esvaziavas a barragem
para a veres aliviada
PML
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ALBUFEIRA
As águas
abriram uma ferida
nas margens
PML
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DÁ-LHE TEMPO
O rio pertence à terra
e é livre. Está rigorosamente
delimitado e cingido,
porém é livre. “Danem-se
as restrições”, diz ele.
“Tenho de ir andando”.
Há-de deitar abaixo as suas barragens.
Há-de passar-lhes por cima ou contorná-las.
Elas hão-de ficar em pedaços.
Wendel Berry in Poemas escolhidos, Flaneur, novembro 2025, selecção e tradução de Catarina Nunes de Almeida, página 135
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BARRAGEM DA BEMPOSTA
As águas que alimentam estas
turbinas não se reconhecem
quando são devolvidas ao leito
do rio Algo da sua essência
navega agora nos cabos de
alta tensão Quase precisam
– essas águas – de serem agora
conduzidas pela mão
Jorge Sousa Braga in O novíssimo testamento, Assírio & Alvim, abril 2012, página 39


















