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Isidro da Silva Santos (1936)

Isidro da Silva Santos (1936)

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ISIDRO da Silva Santos nasceu em 1936 em Alpiarça, mas vive na Póvoa de Varzim desde o princípio da década de 60 do século passado, quando veio jogar no Varzim, e casou com a poveira Ana Maria Duarte, que lhe deu duas filhas. Antes, como futebolista, representou o Benfica, Torreense, Marinhense, Chaves e Barreirense. Uma lesão fez com que Isidro terminasse a carreira de futebolista, aos 27 anos. “Tive três lesões graves, todas a defrontar o Sporting. Duas vezes pelo Benfica e a última pelo Varzim. A primeira vez foi uma entrada mais dura do Fernando Mendes que me afastou dos relvados ano e meio. Regressei e logo noprimeiro jogo após lesão, o Gonçalves mandou-me mais seis meses para o estaleiro com umarotura de ligamentos e joelho partido. Como o treinador Otto Gloria saiu do Benfica acabei por ser emprestado ao Torreense. Ainda voltei um ano depois à Luz, mas acabei dispensado. Só aceitei sair com a carta de futebolista na mão. Queria ser livre para escolher o clube. Aos 20 anos as lesões comprometeram a continuidade no Benfica onde marquei um golo ao Porto, vencemos 3-1 e fui campeão nacional, em 1956/57”.

Isidro não esmoreceu na vontade de jogar futebol e recebeu um convite do Marinhense. “Joguei um ano, fui outro para o Chaves e voltei mais um ano para o Marinhense, que era treinado por Mário Belloni. No ano seguinte, Belloni saiu para o Barreirense e levou-me com ele. Nestes clubes ganhei sempre o mesmo salário, 2500$00 (12,50 euros) mês, pensão paga e 50 contos de luvas (250 euros) por época. Em 1963 o Varzim subiu à 1ª divisão e contratou-me. Dormia na pensão do João Laranja. Era o Quaresma o treinador. Joguei com o Sidónio, Quim, Fernando Ferreira, Justino, Geninho, Fonseca, Noé, Rogério e outros. Ainda joguei contra o Porto e o Benfica mas voltei a aleijar-me contra o Sporting. O José Carlos caiu-me em cima da perna e partiu-me o joelho. Acabei como futebolista. Depois, como treinador, fui campeão e subi a União de Almeirim à 3ª divisão nacional. Tive também uma experiencia no Cartaxo”.

O futebol não foi a primeira aposta desportiva de Isidro Santos: “o meu pai tinha uma casa de bicicletas e eu gostava de dar ao pedal. Com 12 anos já participava em provas na pista de ciclismo de Alpiarça. Com a exigência das provas a saber a sangue e muito sacrifício, divertia-me mais a jogar à bola. A minha habilidade deu nas vistas e fui recrutado para os juniores do Benfica, pelo treinador Valadas. Como fui chamada à primeira selecção de juniores pelo técnico Adriano Peixoto, num jogo na Alemanha, fui promovido à equipa de Aspirantes do Benfica. Nos seniores fui treinado por Francisco Ferreira e pelo argentino Valdivieso. O Otto Gloria apostou em mim na equipa principal, onde joguei com Costa Pereira, Bastos, Ângelo, Palmeiro, Artur, Caiado, Coluna e o grande José Águas, o melhor avançado centro de sempre. Eu era avançado, jogava com o nove, o número do José Águas. Quando fui chamado ao onze do Benfica, passei para ponta direita com o sete nas costas. Joguei quatro anos no Benfica, de 1953 a 1957”.

E recorda: “a vida surpreende-nos a cada passo. Quanto tinha uns 11 anos fui ao estádio nacional assistir ao jogo de homenagem a Francisco Ferreira, entre o Benfica e o Turino, equipa que foi tetra campeão e que acabaria por morrer num trágico acidente de aviação no regresso a Itália. Anos depois fui jogar a Taça Latina pelo Benfica a Turim e fomos homenagear a equipa a Superga, local onde se despenhou o avião. Estavam lá, entre outros, os dois filhos do Valentino Mazzola, para muitos o melhor jogador italiano de sempre”.

Isidro Santos recorda como se tornou poveiro por adopção: “no Varzim comecei a namorar uma poveira. Mas quando acabei para o futebol fui para Alpiarça trabalhar na loja de bicicletas do meu pai e montei uma casa de electrodomésticos. No entanto, todos os fins-de-semana vinha à Póvoa namorar. Dois anos depois casei e levei a mulher comigo, mas regressava na mesma aos fins-de-semana. Quando o meu pai faleceu, optei por vir de vez para a Póvoa, onde vivo há 31 anos. Comprei o passe e explorei o bar da Assembleia Povoense, cerca de 24 anos. Era uma associação frequentada por gente rica da Póvoa e de cidades vizinhas. Uma sala de jogo da Assembleia era o segredo mais mal guardado da Póvoa”.

Publicado in A VOZ DA PÓVOA

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