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O Homem do Saco de Cabedal

Fala do homem do saco de cabedal

/ 1964 leituras
VENDI o coração ao diabo por um copo de vinho e uma mão cheia de chamas. No vazio do peito dorme agora um seixo afeiçoado, redimido do rio. Tenho no saco de cabedal alguns livros de lirismo ...

As árvores do bosque

/ 1363 leituras
CANSADO de humanidade, ganhou pelo. Abjurou a marcha bípede, subiu às árvores do bosque: comeu bagas, frutos silvestres e enxotou a fome dos pássaros. A família pôs anúncios nos jornais, dav...

O inimigo

/ 1290 leituras
O RAPAZ esticou a fisga. Redondo, como uma maçã, caiu o curioso pisco na erva fresca. Quando chegou ao largo, o rapaz gritou: abati um avião inimigo! Das soleiras das portas, o povo, num esp...

Segundo dilúvio

/ 1212 leituras
PELE branca, olhos azuis. Azuis, como lagos profundos. No mês de maio saía da casa em ruínas: ia com as borboletas na caça de fragrâncias remotas. Colhia flores silvestres, oferecia-as aos c...

Os homens

/ 1135 leituras
NA FEIRA vende-se o gado, romãs, peles de raposa, enxadas. As gargantas, secas, pedem vinho: hipoteca-se, então, a alma. E nos olhos refulge antiquíssima valentia. O homem bebeu, muito – é d...

Homem sem terra

/ 1131 leituras
O BOI era o símbolo da valentia da nossa terra. O boi do povo!, explica o homem que tivera de fugir da sua aldeia, porque a barragem tudo engoliu: casa, sonhos, campos, odores, melancolia. C...

Jogo

/ 1089 leituras
O FUTEBOL é um jogo viril. Uma espécie de râguebi sem violência. Sorriu, sem perceber muito bem o que lhe queria dizer o homem do cachecol às riscas. A bola, nessa tarde, andava pelo ar: não...

Paixão das rãs

/ 1068 leituras
FUMAVA cigarros com pensamentos ecológicos. O jovem casado chamou a mãe. Mãe, mãe, venha ver o menino a andar. Nessa tarde não pescou nada. Nada. Existe algo de misterioso nos peixes. É a lu...

Que morre devagar

/ 1057 leituras
E DE quem são as casas, pergunta o homem do saco de cabedal. Olhe, medraram da ruína, lestas como tortulhos em grainha de uva. Foram nossas, do povo da aldeia que morreu devagar, porque ning...

Mãos na cabeça

/ 1021 leituras
DEVAGAR caminhavam, as mãos na cabeça. Viam o fascínio fresco do rio, na lentidão dos olhos adoravam as trutas. Nunca estes homens comeram um peixe. Na Primavera subiam, eles e o gado, ao mo...

A manta de burel

/ 1005 leituras
POR volta da meia-noite, em locais escusos, fazia a mezinha: queimava arruda na pureza do fogo, cosia a boca aos sapos na época do cio. Sobre a manhã, descia ao rio: levantava a saia longa e...

As palavras

/ 945 leituras
NO ALTO destas pedras, uma mulher, cabelo luzidio e olhos claros, reuniu a pequena comunidade. Falou em linguagem rude, áspera, como a vida de todos. No futuro esperam-nos dias felizes e abu...

Pelos teus lábios

/ 864 leituras
NO Maio como as cerejas pelos teus lábios. Diz o homem do saco de cabedal à rapariga. E a rapariga abandona o largo. A correr, como se fugisse de rude tempestade. Pouco depois, regressam a r...

Dialogo com o homem do saco de cabedal

/ 764 leituras
DEFENDO a inter-relación das artes, todas elas proceden dun proceso creativo que ten que ver cunha procura de coñecemento do eu, una viaxe interior que sempre vai fluír cara alguén en dispos...

Tabuleta Digital

Vai no Batalha

Rui Moreira (1956)

Se houver cuidado e proteção está-se a contribuir para uma concorrência leal. Os bons empresários estão interessados neste acordo porque a concorrência mais desleal é aquela que descuida a segurança e a proteção dos trabalhadores.

Rua da Estrada de Atenas

ANDAVAM os antepassados da Angela Merkel nas cavernas por entre ursos e outras barbaridades, quando Péricles edificava Atenas antes das guerras do Peloponeso.  Era assim o mundo, aos encontrões, como sempre. Depois de edificar a Acrópole verificou-se que custava muito lá subir e muito ventosa. De íngreme que era e de caminhos mal empedrados, as quadrigas patinavam e viravam-se de rodas e pernas para cima. Então, depois de muitos séculos prodigiosos, conseguiu-se finalmente domesticar os cavalos de uma maneira diferente de modo a que coubessem às dezenas e às centenas nos motores dos automóv...

Enigmatógrafo

Enigmatógrafo de Augusto Baptista

/ 705 leituras
As chaves do Paraíso são Yale?