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Que morre devagar

Que morre devagar

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E DE quem são as casas, pergunta o homem do saco de cabedal. Olhe, medraram da ruína, lestas como tortulhos em grainha de uva. Foram nossas, do povo da aldeia que morreu devagar, porque ninguém tem pressa de ver Deus. Quem as explora? Disso não estou a par… Mas uma coisa é certa, desagrada-nos a pouca vergonha que arribou a esta terra. Até mulheres nuas, nuas como vieram ao mundo, nascem nas bordas do rio. Não é que a gente desgoste da caça. Sabe, a velhice: sentimos coelho na toca e falta-nos o furão, entende. De quem são as casas? Ó amigo, será que eu falo galego!

Texto de Francisco Duarte Mangas publicado originalmente in O homem do saco de cabedal, Campo das Letras, maio de 2000, página 52, com ilustração de Inma Doval.

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