É um rasgão de verdura onde um rio canta
a enredar nas ervas, como um louco, fiapos
de prata; onde o sol, sobre a montanha altaneira,
cintila: é um pequeno vale a espumar raios.
Um soldado, boca aberto, cabeça ao léu
e a banhar a nuca nos agriões azuis,
dorme; está deitado na erva, sob as nuvens,
branco no seu leito verde onde chove luz.
Com os pés nos gladíolos, dorme. Sorrindo
como uma criança doente, faz a sesta:
natureza, embala-o no colo: ele tem frio.
Os perfumes não lhe arrepanham as narinas;
dorme ao sol, a mão sobre o peito imperturbado.
Dois furos vermelhos sobre o flanco direito.
tradução de João Moita, Poesia, Assírio & Alvim, setembro 2025


















