Se o olhar visse curvo,
como se diz que é o espaço,
olhando a sudoeste
de meu atual terraço,
podia ver além
do zinco ondulado (a água)
tuas praias de coqueiros,
pubescentes, não glabras.
Mas há um outro ver
além do primário (o olho)
porque daqui te vejo
com o ver do corpo todo,
sob a táctil luz morna,
com espessura de sucos,
de um sol onde se está
como dentro de um fruto.
in Museu de tudo, Alfaguara, outubro 2009, página 107


















