Seria uma hora da noite
ou uma e meia.
Num canto da taberna,
por trás de um tabique de madeira.
Para além de nós dois, estava o local deserto,
mal iluminado por uma lâmpada de petróleo.
Na porta dormitava o empregado
cansado da vigília.
Ninguém nos podia ver. Mas já
tanto nos tínhamos excitado,
que não éramos capazes de precaução.
As roupas entreabriam-se – não eram muitas,
já que ardia o divino mês de Julho.
Da carne o prazer por entre
a roupa entreaberta;
breve nudez da carne – cuja imagem
percorreu vinte e seis anos; e agora veio
ficar neste poema.
in 145 poemas, tradução de Manuel Resende, Flop, 2017, página 157


















