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Veio ficar por Constantino Cavafy

Veio ficar por Constantino Cavafy

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Seria uma hora da noite
ou uma e meia.

Num canto da taberna,
por trás de um tabique de madeira.
Para além de nós dois, estava o local deserto,
mal iluminado por uma lâmpada de petróleo.
Na porta dormitava o empregado
cansado da vigília.

Ninguém nos podia ver. Mas já
tanto nos tínhamos excitado,
que não éramos capazes de precaução.

As roupas entreabriam-se – não eram muitas,
já que ardia o divino mês de Julho.

Da carne o prazer por entre
a roupa entreaberta;
breve nudez da carne – cuja imagem
percorreu vinte e seis anos; e agora veio
ficar neste poema.

in 145 poemas, tradução de Manuel Resende, Flop, 2017, página 157

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