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Papel por Carlos de Oliveira

Papel por Carlos de Oliveira

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Pego na folha de papel, onde o bolor do poema se infiltrou, levanto-a contra a luz, distingo a marca de água (uma ténue figura emblemática) e deixo-a cair. Quase sem peso, embate na parede, hesita, paira como as folhas das árvores no outono (o mesmo voo morto, vegetal) e poisa sobre a mesa para ser o vagaroso estrume doutro poema.

in Trabalho poético [Sobre o lado esquerdo], Livraria Sá da Costa Editora,  3.ª edição, 1998, página 194

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