Mal saio da garagem
uma gaivota está à minha espera
No fundo do jardim
é um melro que me observa
Ao longo do quarteirão
uma pega rabuda salta de telhado em telhado
à minha procura
Nos postes de iluminação da autoestrada
as gaivotas e as pombas
registam a minha passagem
Quando paro numa área de serviço
e vou à casa de banho
ouço pássaros a cantar
No acesso à ponte
um falcão está sempre a vigiar
a minha entrada
Ao atravessar a ponte
um corvo marinho
olha-me lá de cima
No nó do Freixo
um milhafre descoberto pela queda das folhas
controla-me a saída
Ao contornar a rotunda
parece-me ver o focinho
de uma toupeira
Quando caminho na rua
as andorinhas voam tão baixo
que quase me tocam
Podem não acreditar
mas estou a ser perseguido
nem que seja
pela ideia da perseguição
PML


















