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Artigos na categoria Letra L

L
[29 Jul 2017 | Comentar | ]
L

O L assentava em si mesmo como uma luva. Tinha assento em todas as reuniões de letra grande e, se minusculava, logo estreitava laços com quem o precedia ou seguia. Campeão da flexibilidade, o L prestava-se a lutas de salão, a lutos oficiais e a todos os lugares comuns preconizados pela Ordem alPhabética. Amiúde acusado de ser um descarado lambe botas, não passava de um caso de talento social inato. Líquido e lírico, logo ainda mais serpentino do que o S, o L era exímio em deslizar, esgueirar-se, esquivar-se, devanear. …

Mirtilo
[13 Jun 2017 | Comentar | ]
Mirtilo

Pequena cápsula de sangue da terra.
Por João Pedro Mésseder, in Palavras viageiras, Edições Xerefé 2016, página 13.

Leão
[13 Jun 2017 | Comentar | ]
Leão

1.
Só leão de juba atinge
o estatuto de jubilado.
Por Francisco Duarte Mangas, in O noitibó, a gralha e outros bichos, Editorial Caminho, Setembro de 2009, página 35.
2.
Nome que se dá
àquele que lê muito.
Por João Pedro Mésseder, in Palavras viageiras, Edições Xerefé 2016, página 12.

Lua cheia
[12 Abr 2017 | Comentar | ]
Lua cheia

1.
A Lua,               encantada,
dá à luz               a noite.
Por César Augusto Romão, in Tanto ar, Propagare, 2009, página 27.
2.
Lua cheia:
com esta moeda de oiro
posso comprar um sorriso
Por Jorge Sousa Braga, in O poeta nu [poesia reunida], Celas, Assírio & Alvim, 2.ª edição, abril de 2014, página 132.

Lisboa
[31 Mar 2017 | Comentar | ]
Lisboa

1.
…esta névoa onde começa a luz de Lisboa,
rosa e limão sobre o Tejo, esta luz de água, …
Por Eugénio de Andrade, Antologia breve, Editora Limiar, página 72.
2.
O que sei da palavra luz
É Lisboa espreguiçada.
Por João Manuel Ribeiro in Palavras-chave, Trinta Por Uma linha, março de 2017, Porto.

Luz
[31 Mar 2017 | Comentar | ]
Luz

1.
e uma luz de neve quebrada de vidraça em vidraça.
Por Eugénio de Andrade,  in Ao Porto, Colectânea de Poesia sobre o Porto, organização de Adosinda Providência Torgal e Madalena Torgal Ferreira, Publicações Dom Quixote, 2001, página 46.
2.
É o momento em que a luz desmaia, em que a cor é transparência e a natureza se esvai entontecida. A luz aqui (Ria de Aveiro) estremece antes de pousar…
Por Raul Brandão, in Os Pescadores, Estante Editora, 2.ª edição, agosto de 2010, página 41.
3.
A luz hesita e cisma e esta atmosfera comunica distinção aos homens e …

Livro
[19 Dez 2016 | Comentar | ]
Livro

1.
É isto um livro
esta espécie de coração (o nosso coração)
dizendo “eu” entre nós e nós?
 
Por Manuel António Pina, in Como se desenha uma casa, Assírio & Alvim, 2011, página 21.
 
2.
O tempo que passei fechado sem
nenhum leitor, justificou ser
imolado pelas traças.
 
Por Inês Lourenço, in Coisas que nunca, &etc, 2010, página 56.
 
3.
Nome derivado
do adjectivo livre.
 
Por João Pedro Mésseder, in Elucidário de Youkali seguido de Ordem Alfabética, Editorial Caminho, janeiro de 2006, página 40.

Lagartixa
[19 Dez 2016 | Comentar | ]
Lagartixa

Sacerdotisa da seita de sangue frio.
Adora o sol.
 
Por Francisco Duarte Mangas, in O noitibó, a gralha e outros bichos, Editorial Caminho, Setembro de 2009, página 35.

Lesma
[19 Dez 2016 | Comentar | ]
Lesma

Caracol sem abrigo.
 
Por Francisco Duarte Mangas, in O noitibó, a gralha e outros bichos, Editorial Caminho, Setembro de 2009, página 36.

Lince
[19 Dez 2016 | Comentar | ]
Lince

1.
Quando penso em ti
só me lembro dos teus olhos.
 
Por Francisco Duarte Mangas, in O noitibó, a gralha e outros bichos, Editorial Caminho, Setembro de 2009, página 36.
 
2.
O lince
olhos em extinção.
 
Por Francisco Duarte Mangas, in A fome apátrida das aves, Modo de ler, página 130.

Lobisomem
[19 Dez 2016 | Comentar | ]
Lobisomem

Lobo: acaba de comer o h a este omem.
 
Por Francisco Duarte Mangas, in O noitibó, a gralha e outros bichos, Editorial Caminho, Setembro de 2009, página 37.

Louva-a-deus
[19 Dez 2016 | Comentar | ]
Louva-a-deus

Tímido insecto
este devoto da Natureza.
 
Por Francisco Duarte Mangas, in O noitibó, a gralha e outros bichos, Editorial Caminho, Setembro de 2009, página 38.

Lágrima
[19 Dez 2016 | Comentar | ]
Lágrima

1.
Breve
é o mar
na vida
da lágrima
que na terra
tomba.
 
Por César Augusto Romão, in Tanto ar, Propagare, 2009, página 42.
 
2.
No rosto, aparentemente jovem, esquiam duas lágrimas velozes.
 
Por Francisco Duarte Mangas, in A casa dos caçadores, hidra editores, 2007, página 13.
 
3.
Diamante que o coração segrega.
 
Por João Pedro Mésseder e Francisco Duarte Mangas, in Breviário da Água, Editorial Caminho, 2004, página 60.

Lua nova
[19 Dez 2016 | Comentar | ]
Lua nova

A Lua,                iluminada,
volta                   a dar nas vistas.
 
Por César Augusto Romão, in Tanto ar, Propagare, 2009, página 29.