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Sete perguntas a Madalena Santos

Sete perguntas a Madalena Santos

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MADALENA goza da particularidade (será privilégio?) de ter nascido e continuar a viver no limiar da vida rural impregnada de influências citadinas. Esse lugar situa-se na freguesia de Nogueira, no concelho da Maia. Crê que o meio onde vive não determinou as suas opções profissionais e artísticas. No entanto, enquanto escritora vai absorvendo tudo o que a envolve. E também age sobre o ambiente cultural que a rodeia, como sucede com a criação de uma biblioteca na Junta de Freguesia. Se tivesse nascido e vivido fora da Maia, seria a Madalena, mas não seria a mesma pessoa.

Por Paulo Moreira Lopes

1 – Data de nascimento e naturalidade (freguesia e concelho)?

27 de Maio de 1987. Natural da freguesia de Nogueira, concelho da Maia.

2 – Atual residência (freguesia e concelho)?

Freguesia de Nogueira, concelho da Maia.

3 – Escolas/Universidade que frequentou no distrito do Porto?

Frequentei o Externato Ribadouro durante o secundário, licenciei-me na Faculdade de Direito da Universidade do Porto, frequentei o Mestrado em Direito na Escola de Direito da Universidade Católica do Porto – Centro Regional do Porto.

4 – Formação académica?

Licenciatura em Direito, Mestrado em Direito da Empresa e Negócios.

5 – Atividade profissional?

Advogada e Escritora.

6 – Em que medida o local onde viveu ou vive influenciou ou influencia o seu trabalho por referência a fenómenos geográficos (paisagem, rios, montanha, cidade), culturais (linguagem, sotaque, festividades, religião, história) e económicos (meio rural, industrial ou serviços)?

Os meus trabalhos publicados reflectem claramente a influência da paisagem, da cultura e das adversidades do dia-a-dia dos meus e daqueles que vivem em redor. As minhas personagens facilmente lidam com cenários montanhosos, pouco ou nada pintados pela neve, e sopés ou vales cheios de ribeiros e mato. A protagonista do terceiro livro até fica impressionada quando se depara com a planície infinita (como, quando era pequena, me acontecia). Mas a diversidade da imaginação já conseguiu povoar praias, desertos e pântanos, mesmo não os tendo vivido com a mesma intensidade.

O gosto pelo passado, pela integridade de valores à moda antiga, esse nasceu no seio familiar e nas tradições da terra, nas vivências do presente e no que se ouve dizer dos antepassados. A garra nortenha delineia perfis das personagens e os seus costumes facilmente se norteiam pelo que conheço em primeira mão. Gozo da particularidade de viver no limiar da vida rural (a Maia é um município heterogéneo) impregnada de influências citadinas. O acesso aos dois mundos enriquece o alcance da fantasia.

Algo de que me consciencializei há pouco tempo, no que concerne a fenómenos geográficos-económicos, é a coincidência de, nalguns livros, se verificar a distinção entre o Norte e o Sul. Numa época primitiva, sendo o Sul claramente superior, quando o passar dos séculos reserva prosperidade ao Norte. Eventualmente um reflexo do que sinto sobre a realidade portuguesa…

O livro é um espelho da alma do autor, quando este permite que laivos da sua essência deslizem pelas pontas dos dedos. E o autor cria-se bebendo do que o envolve. Aliás, o escritor por definição absorve tudo o que está no seu encalço a um nível mais intenso – para o bem ou para o mal – do que o que se poderá chamar de o comum dos mortais.

Agora, a eterna questão será se todos esses fenómenos explicam também o meu perfil jurídico-artístico. Alguns até poderão encaixar na causa; mas não sei se serão a causa. Ninguém na família próxima é causídico, escreve ou canta. Mas alguns ascendentes deixaram vestígios de sensibilidade para essas artes. E há espaço para as suas manifestações no mundo onde vivo – não fosse isso e não estaria eu a criar uma biblioteca na minha Junta de Freguesia, não haveria duelos de bandas filarmónicas, nem rituais da comunidade rebuscados de simbolismos a várias camadas. Portanto, creio que o meio onde vivo não determinou as minhas opções profissionais e artísticas, contudo, impulsionou-as e molda-as.

7 – Endereço na web/blogosfera para a podermos seguir?

http://www.madalenasantos.com e https://www.facebook.com/madalenansantos .

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