DOMINGO
Entre as filas de árvores da avenida dos Gobelins
uma estátua de mármore leva-me pela mão
hoje é domingo os cinemas estão cheios
os pássaros nos ramos contemplam os humanos
e a estátua beija-me mas ninguém nos vê
a não ser uma criança cega que nos aponta com o dedo.
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Jacques Prévert (1900 – 1977) foi um poeta, guionista e letrista francês, conhecido pelo tom coloquial e pela simplicidade lírica dos seus textos. Nasceu em Neuilly-sur-Seine e, após uma juventude marcada pela vida boémia em Paris, integrou-se nos meios surrealistas. Tornou-se célebre pela colectânea Paroles (1946), que rapidamente conquistou grande popularidade. Além da poesia, escreveu guiões para filmes de referência, como Quai des brumes (1938) e Les Enfants du paradis (1945), este último considerado uma das obras-primas do cinema francês. As suas canções, muitas delas musicadas por Joseph Kosma, como Les feuilles mortes, foram interpretadas por grandes vozes da canção francesa, incluindo Édith Piaf e Yves Montand.


















