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Fernando Echevarria (1929)

Fernando Echevarria (1929)

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6.
A solidão é sempre fundamento
da liberdade. Mas também do espaço 

 

5.
Junto das águas, os defuntos brilham.
A inocência de estarem a esquecer 

4.
Qualquer coisa de paz. Talvez somente
a maneira de a luz a concentrar 

3.
A velhice é um vento que nos toma
no seu halo feliz de ensombramento.

2.
Vem dos olhos de Deus. Espuma
e exemplo vivo de nave. 

1.
Entras como um punhal
até à minha vida.
Rasgas de estrelas e de sal
a carne da ferida. 

Poeta espanhol de origem portuguesa, Fernando Ferreira Echevarría nasceu a 26 de fevereiro de 1929, em Cabezón de la Sal, Santander, Espanha. Veio para Portugal ainda muito novo, tendo cursado Humanidades em Portugal, e Filosofia e Teologia em Espanha. Optou pela carreira docente, primeiro no Porto e depois, já exilado em Paris, onde passou a residir desde meados de 1966, após ter estado em Argel entre 1963-1966.

Escreveu sempre em português, só ocasionalmente nas línguas castelhana e francesa, e colaborou em várias revistas como: Graal, Eros, Colóquio/Letras e Limiar.

O seu primeiro livro Entre Dois Anjos foi publicado em 1956; seguiram-se-lhe: Tréguas para o Amor, em 1958, Sobre as Horas, em 1963 e Ritmo Real em 1971, que se apresentou como um livro de arte, sendo as dez gravuras originais a relevo da autoria de Flor Campino. Todos os exemplares foram assinados pela artista e pelo autor.

A poesia de Echevarría insere-se na corrente antirrealista dos anos 50 do século XX, marcada sobretudo pela sensibilidade metafísica e artística e pelo “imaginismo”.

Pode-se aproximar Fernando Echevarría de duas tendências contemporâneas: por um lado, a do desenvolvimento de uma poesia reflexiva, a que subjaz a especulação filosófica, e que aproxima o autor de alguns colaboradores de Eros, como Fernando Guimarães ou António José Maldonado, tendência, aliás, agudizada nos últimos títulos (Introdução à Filosofia e Fenomenologia); e, por outro lado, coincidente muitas vezes com a tendência anterior, a da compreensão, na esteira do simbolismo mallarmiano, da poesia como um instrumento de conhecimento, na decifração de uma dimensão absoluta e de uma verdade metafísica que podem ser entrevistas pelo uso do símbolo na condensação intensiva de todas as irradiações significativas de certas palavras.

A sua poesia encontra-se, entre outras, nas seguintes antologias portuguesas: Antologia – Prémio Almeida Garrett de 1954, Alma Minha Gentil, Líricas Portuguesas; 20 Anos de Poesia Portuguesa; Poetas escolhem Poetas e Eros de Passagem – Poesia Erótica Contemporânea.

Dos vários prémios nacionais que recebeu, destacam-se o Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores, o Prémio António Ramos Rosa, o Prémio Fundação Luís Miguel Nava e o Prémio Dom Dinis.

Sito in http://www.infopedia.pt/

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