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Fernando Aguiar (1956)

Fernando Aguiar (1956)

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9.
Dizer o que se diz equivale
a dizer o que não se diz.

Palavras que se coisificam
à medida que as dizemos.

Pelo que dizer e coisificar
significam o mesmo vazio.

A mesma falta em nomear
o que nunca se quis dizer.

in O possível da medida, Edição Busílis, outubro 2018, pág. 9

8.


Preencha
o tempo
como se
não
houvesse
espaço.

in Um fio de perplexidade, Edição Busílis, outubro 2019

7.
Medida

A medida
da palavra
é a extensão
dos grafemas
que a
constitui
ou o peso
do seu
alcance?

in O possível da medida, Edição Busílis, outubro 2018, pág. 25

6.
O tudo que é pouco

Para o Tchello de Barros

UM
TUDO
NADA

PODE
SER

MUITO
POUCO 

 

5.
O poema

O poeta
deu
o poema
por
terminado
antes
de o
começar.

É por
isso
que estes
versos
não
existem.

4.
Emer gência

quebrar
o poema
em caso
de emer
gência.

3.
Poéticas

num país de líricos
quem tem olho
é visual. 

2.
o ar do mar que me estava a dar na cara foi um ar que me deu 

1.
– Logo na primeira página, precisamente na primeira linha, onde se lê era uma vez..., leia-se finalmente…

Natural de Lisboa, Fernando Aguiar (1956) é Licenciado em Design de Comunicação pela Escola Superior de Belas Artes de Lisboa. Paralelamente à sua actividade como artista plástico, poeta e performer, Fernando Aguiar organizou festivais, exposições e antologias de poesia experimental, entre os quais Poemografias: Perspectivas da Poesia Visual Portuguesa (1985, com Silvestre Pestana), 1º Festival Internacional de Poesia Viva (1987), Concreta, Visual, Experimental, Poesia Portuguesa 1959-1989 (1989, com Gabriel Rui Silva), Visuelle Poesie Aus Portugal (1990), Poesia Experimental dels 90 (1994) eImaginários de Ruptura, Poéticas Experimentais (2002). Esta intensa atividade contribuiu decisivamente para a divulgação e afirmação nacional e internacional da poesia experimental portuguesa.

Sito in: Arquivo Digital da PO:EX

Morada na web: Facebook

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