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Delfim Lopes

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Nasceu em Lisboa, no ano de 1977. Aos 18 anos entrou na Universidade Católica, cursando em Filosofia. Datam dessa época os seus primeiros textos publicados no hoje extinto DNJ. Tendo surgido a oportunidade, dois anos volvidos, abandonou o curso (mas nunca os estudos), dando assim início a uma breve carreira enquanto marujo em embarcações de recreio, trocando o mar largo da sua cidade pelo bem mais concreto Atlântico, o que lhe permitiu percorrer vezes várias a costa deste país (bem como os seus rios e até, durante alguns anos, o sul de Espanha). Ao regressar à sua cidade natal prosseguiu os estudos, não retornando contudo ao curso, que deixou como permanece: incompleto. Trabalhou depois cerca de dez anos numa área que lhe era hostil, isto de forma a abastecer tanto biblioteca como frigorífico. Desde há uns anos para cá encontra-se desempregado, tendo entretanto publicado, em pequenas tiragens e edições singulares, alguns livros (todos eles de poesia, todos eles esgotados): No Cumprimento do Devir, (edição de autor, 2013), Personagem Zero (Homem do Saco, 2014), Cuidar dos Mortos, (edição de autor, 2017). Criou sozinho uma pequena editora, Edições Eclusa, que conta com dois títulos até à data (Acabamentos de Primeira de Rui Caeiro e A Mil Braças de Profundidade, AA VV. ) que, apesar de já ter esgotado o seu primeiro número, não logrou continuar por falta de meios. Fez em 2015, a pedido do próprio autor, a única antologia existente da obra de Rui Caeiro, Deus e Outros Animais, depois publicada pela editora Averno. Este foi seu primeiro livro em prosa.

Já não há qualquer tempo a ganhar.

A infância nunca foi nenhuma brincadeira de criança.

Deus é o único amigo imaginário com o qual (até ver) não perdi contacto.

O futuro é a maior perda de tempo que me vem à memória.

A espera não perde pela demora.

Não há delírio mais livre que o arbítrio.

Dias há em que a própria raça me faz espécie.

Onde quer que pousem os cascos do homem, todos os outros animais dão à sola.

Por delicadeza não ganho a vida.

Se faço pouco do meu nada, é porque pouco mais há dele a fazer.

Já não se fazem infernos como Dante.

Há quem crie deuses, há quem crie gado e há quem crie ambos, isto é, vacas sagradas.

Dúvidas: sombras essas que tampouco precisam da luz do Sol para existir.

Sofrer fome é ter-se o rei na barriga.

Só trabalho a horas extraordinárias.

Todas as metas pregam partidas.

O meu peito, um tambor de guerra, aquando do amor.

Ninguém é mais sério que o seu sorriso.

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