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Daniel Maia-Pinto Rodrigues (1960)

Daniel Maia-Pinto Rodrigues (1960)

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7.
É do princípio das tardes
do sol das tardes
das janelas abertas
das cigarras
e é do sol a entrar pelas janelas
da sua incidência nas cristaleiras
nas macãs e nos jarrões,
é das iluminadas peças de bronze
do segundo plano das aguarelas
das mais à sombra fotografias da família
que eu saio
durante as horas paradas
para escrever poesia.

6.
Amanhece
e no espreguiçar dos olhos
absorvo a tontura do novo dia. 

5.
Descem pelas colinas os animais que sonhas 

4.
Seriam grandes
crescendo assim como os sobreiros 

3.
Homem

Velho
à porta de sua casa
o pescador.
À sua frente grande
o mar. 

2.
É linda
é mais feita para se ver
do que para outra coisa qualquer. 

1.
Deus surgiu-me de branco
sobre os ombros trazia uma ave de longas penas 

Daniel Maia-Pinto Rodrigues: A sua obra foi iniciada com Vento (1983) e prosseguida com Conhecedor de Ventos (1987); A Próxima Cor (1993, agraciado com o 1.º Prémio Nacional Foz Côa Cultural e a Menção Honrosa Novos Valores da Cultura do Ministério da Educação e Cultura); O Valete do Sétimo Naipe (1994); O Céu a Seu Dono, em colaboração com João Gesta (1997); A Sorte Favorece os Rapazes (2001); e O Afastamento Está Ali Sentado ( 2002). O Valete do Sétimo Naipe fez parte do ciclo “Um livro, uma vida, um objecto ou um gesto” (Porto 2001, Capital Europeia da Cultura) e o volume Dióspiro, onde reúne trinta anos de poesia, foi considerado pela Rádio Universitária do Minho como “o melhor livro editado em Portugal, no ano de 2007”.

A sua obra poética tem merecido a atenção crítica de autores como Manuel António Pina, Rosa Maria Martelo ou Mário Cláudio. Representado em diversas colectâneas poéticas, diseur de poesia e colaborador regular do grupo Caixa Geral dos Despojos (ligado ao Teatro do Campo Alegre, no Porto), Daniel Maia-Pinto Rodrigues dedica-se por inteiro à escrita e à intervenção cultural. A sua obra caracteriza-se por uma original dimensão fantástica, configurando um universo poético que, embora sempre aparentemente ancorado na realidade imanente e familiar, tende para a sugestão de ambientes estranhos, nebulosos e esquivos, e onde a expressão das sensações e dos acontecimentos mais anódinos se reveste de contornos insólitos e inesperados.

O autor encontra-se representado, entre outras, nas seguintes antologias: Novos Autores (Assírio & Alvim, 1984 e 1985), Rio Interior – Selecção de Poesia Portuguesa (Limiar), Orfeu 4 (Limiar), Homenagem a Saul Dias (Quasi Edições), Álbum de Acenos – Antologia de Fotografia e Poesia sobre o Conselho de Almada, Ao Porto – Colectânea de Poesia sobre o Porto (Publicações Dom Quixote), Os Poetas (Edições Silêncio da Gaveta), A Alma não é Pequena (Centro Atlântico), Antologia Poesia a Mesa (Quasi Edições), Poesia dos Anos 80 Agora (Quasi Edições), Na Liberdade – Antologia Poética (Garça Editores), Algarve – Todo o Mar – Colectânea de Poesia sobre o Algarve (publicações Dom Quixote), A Jeito de Homenagem a Eugénio de Andrade (Fólio Edições), Os Poemas da Minha Vida, por Marcelo Rebelo de Sousa (Público), A Novíssima Poesia Portuguesa e a Experiência Estética Contemporânea, por Luís Carmelo (Publicações Europa – América), Antologia Quase Inédita de Poesia Contemporânea Portuguesa (Edições Gailivro).

Sito in http://paginaliterariadoporto.com/

Outras moradas: http://odanielmaia.blogspot.pt/http://migadaniel.blogspot.pt/

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