Reservei uma cadeira verde no Jardim das Tulherias para assistir à explosão das cerejeiras japonesas. Espero não ficar ferido.
Quando os jardineiros vierem cortar a crista e os ramos das tílias, vou apanhar cada ramo e voltar a colá-lo no sítio.
Os serralheiros franceses não têm mãos a medir. Além de grades, corrimões, portas e portões, fazem também esquadros para afixar nas esquinas dos jardins. É da maneira que não há atravessadouros.
Com tanta limpeza e poda das árvores nos jardins do Palácio de Versalhes, eliminaram-se os bosques dos melros, que foram para os arredores. Só ficaram as gralhas e as pegas.
Quem visita o Petit Trianon tem o privilégio de contemplar a retrete do Rei. A tampa está levantada e exala um cheiro desagradável. Tudo indica que saiu à pressa.
Os patos que nos procuram no Jardim do Luxemburgo, quando estamos a comer, é só para perguntarem se a comida nos está a saber bem.
Saem ambos na estação dos Campos Elísios. Quando chegam à superfície, conversam um pouco, enquanto Winston Churchill aproveita para acender um charuto. Charles de Gaulle fica por ali perto. Churchill segue, em passo lento, envolto em fumaradas, para depois subir ao pedestal e cumprir mais um dia de História.
Os apaixonados não têm de se preocupar. Existem vendedores de aloquetes e canetas que lhes permitem prender o amor às grades da cidade.
Surpreendido a descansar numa das alcovas da salle de couche do Museu de Artes Decorativas, o jovem vigilante confessou que tinha muitas horas de sono em atraso.
Sem dinheiro para comprar um cinto, um vigilante do Museu do Louvre passou a segurar as calças com um alfinete etrusco.
O vagabundo que se vê perdido nos boulevards da cidade é, afinal, o trineto de Georges-Eugène Haussmann, à procura da fama do trisavô.
PML


















