Gosto quando me dizes parvoíces,
quando fazes asneiras, quando mentes,
quando vais às compras com a tua mãe
e perco o cinema por tua causa.
Gosto mais quando é o meu aniversário
e me cobres de beijos e de bolos,
ou quando estás feliz e isso nota-se,
ou quando és genial com uma frase
que resume tudo, ou quando te ris
(o teu riso é um duche no inferno),
ou me perdoas um esquecimento.
Mas ainda gosto mais, tanto que quase
não aguento o tanto que de ti gosto,
quando, cheia de vida, te levantas
e a primeira coisa que fazes é dizer-me:
«Estou cheia de fome esta manhã.
Vou começar por ti o pequeno-almoço.»
in A vida em chamas, Língua Morta, março 2018, página 93, tradução de Miguel Filipe Mochila


















