Os mineiros de carvão tinham feito uma cabana que lhes servia de igreja. Pilhas de lenha formavam as paredes e cobria tudo um telheiro de ramadas.
O padre vinha dizer a missa no dia da Assunção e quase sempre estavam agachados lá dentro porque fora já chovia e a água fazia tremer as folhas do bosque.
No mês de Outubro de mil novecentos e cinquenta, uma noite um raio atingiu em cheio a igreja queimando tudo.
Agora a gente do vale vem cá acima rezar ao pé da mancha preta de cinzas e, quando levanta os olhos, vê ali à frente por um momento a cabana em pé, e o raio ainda não caiu.
O Livro das Igrejas Abandonadas, Assírio & Alvim, 1997, com tradução de José Colaço Barreiros



















