De um instante metálico sai um som
uma raridade sincopada em pleno outono
uma voz misturada ao ruído do eléctrico
no empedrado. Todas as tardes o mesmo
som por vezes só o eco
in A arte de perder, Tinta da China, abril de 2023
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NORA DO EDITOR:
Gosto deste poema, apesar de a mensagem não ser muito evidente. Não sei o que é um «instante metálico»; suponho que seja a passagem do elétrico, o atrito das rodas de metal nos carris. Pouco importa. O que é certo é que parece que estou a ouvir um som, talvez um estalido, a sair da passagem do elétrico.
O último verso, em especial — «por vezes só o eco» —, ao rimar com «elétrico», soa muito bem e é particularmente agradável ao ouvido. Volto atrás para tentar refazer a imagem, mas ela continua confusa. E, mesmo assim, o poema não deixa de me soar bem.
PML


















