As motos roncam no circuito
de Vila Real e lá estou eu, pendurado
no muro das traseiras, a espreitar a Norton
que vem à cabeça, curvando, espectacular,
na rampa de São Pedro. O cheiro a gasolina
embebeda a catraiada. É quase tão bom
como o incenso do mês de Maria. Baba-se
o tontinho da cidade e alguns padres
deitam foguetes e panham as canas.
As motos cortaram já a meta, quando chega
a notícia de um desastre na Trimpeira.
Mas a festa prossegue, com a feira
dos pucarinhos, e o barro negro de Bisalhães
racha-se na cabeça dos feirantes.
in Mil e outras noites, Língua Morta, maio 2018, página 143


















