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Fóssil

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ADIVINHAM-SE as divisões. Os azulejos da cozinha; o rasto da chaminé a trepar na parede, o abrigo das traves de carvalho. Quando se tornou projecto em tamanho real, alguém escreveu povo na parede da sala de jantar. Sim, ali era a sala. Havia uma mesa, quatro cadeiras, uma fotografia do casamento na solidão da parede. Ao domingo, sobre a mesa, a jarra de margaridas tinha por companhia O Primeiro de Janeiro: a infindável aventura do Príncipe Valente, os bonecos do Sam Payo a acirrar a tristeza, partia o Niassa rumo às colónias com mais um carregamento de melancólica bravura. Do pequeno jardim em frente, quando a casa era casa, irrompeu a voz, “Mãe, mãe, ó mãe… o menino já sabe andar!”

Texto de Francisco Duarte Mangas e Foto de Augusto Baptista in A cidade escrita, edição de autor, fevereiro 2015, página 46

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