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Daniel Hompesch (1948)

Daniel Hompesch (1948)

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NASCIDO em 1948 em Liége, Bélgica, Daniel Julien Jean Hompesch vive na Póvoa de Varzim. Licenciado pelo Institut Superieur des Beaux-Arts et Architecture Saint Luc de Liége, foi membro fundador do Núcleo de Gravura de Alijó e fundador da Bienal Internacional de Gravura do Douro. A sua pintura, gravura e escultura, está representada um pouco por todo o mundo. Mas para dar à vida um sentido artístico teve que abraçar muitas aventuras e outras tantas profissões. “Terminados os estudos, comecei a trabalhar nos pavilhões de feiras. Fazia a parte gráfica e pequenas decorações com desenhos dos objectos vendidos no Stand. Depois casei e montei um gabinete de arquitectura de interiores. Fazia projectos de decoração para todo o tipo de lojas, restaurantes e discotecas. Cheguei a ter cinco empregados. Mas como era a pintura que me interessava, vendi tudo e fui-me embora sem a mulher. Aterrei em Guadalupe, nas Caraíbas. Pensava ficar três semanas e fiquei quase um ano. Arranjei um trabalho nos barcos como animador turístico, três dias por semana. No resto do tempo, pintava paisagens para vender a turistas”.

Uma proposta da Ópera de Liège levou Daniel Hompesch a regressar à terra que o viu nascer. “Fiz cenários das óperas mais famosas e cenários para o Teatro de Marionetas. O dinheiro ganho permitiu-me abrir o meu atelier de pintura numas águas furtadas, onde vivia com uma companheira que me deu duas filhas. Mas a minha ânsia de aventura levou-me novamente sozinho até Palma de Maiorca. No Verão vendia casacos de pele aos turistas. No Inverno, desenhava e pintava no meu atelier. Voltei a apaixonar-me e a casar. Desta vez, nasceram dois rapazes. O primeiro na ilha espanhola e o segundo na Póvoa de Varzim”. E recorda: “tinha dinheiro para sobreviver um ou dois anos e decidi, em Novembro de 1990, vir para Vila Nova de Milfontes, no Alentejo, só para pintar. Estive lá seis meses e vendi o meu primeiro quadro para Lisboa. Tinha poucos clientes mas, mesmo assim, continuei a pintar e comecei também a fazer restauro de quadros antigos nas capelas e igrejas. Um fim-de-semana, vim até à Póvoa de Varzim. Gostei muito e fiquei. O meu filho Nicolau nasceu aqui. Comecei a fazer projectos de arquitectura para uma firma de hotelaria e abri um atelier de pintura, onde dei aulas a jovens e senhoras de idade”.

Por José Peixoto. Leia a notícia na íntegra na edição impressa da A VOZ DA PÓVOA

2 COMENTÁRIOS

  1. Acabo de ver as obras expostas aqui, na biblioteca Rocha Peixoto – onde nunca tinha vindo – e pasmei: os desenhos e pinturas de Hompesch dão ao átrio uma envolvência que, simultaneamente, nos devolve a casa e nos faz viajar nos magníficos universos futuristas de Ridley Scott. Esmagador, de tão belo! Compraria, se pudesse, toda e cada uma das suas obras, até ao mais diminuto dos desenhos, que me recordaram a “filigranítica” pintura de Brueghel, o Velho! Ocorre-me, apenas, o termo anglófono “outstanding”! Vou comprar, sem dúvida, um dos desenhos cujo valor reverte para a luta contra o cancro. A obra deste artista deixou-me um indelével traço de pura veneração. Talvez porque os olhos dos peixes que retrata, baços, vindos de “outro lado”, pareçam ver algo que nos rodeia e que é difuso, elástico e dúctil. Por isso mesmo, vêem através e para lá de nós…

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