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Quando durmo vejo a luz por J. V. Foix

Quando durmo vejo a luz por J. V. Foix

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Quando chove eu danço só
visto de algas, ouro e escamas,
há uma tela de mar à espreita
e um pedaço de céu rubro,
um pássaro rodopia,
multiplica-se um arbusto,
a casota do pirata
é um amplo girassol.
Quando chove eu danço só
visto de algas, ouro e escamas.

Quando me rio fico encurvado
na poça ao fundo da eira,
visto-me à moda antiga
e vou atrás da caseira,
e entre pinhal e brenha
planto a minha bandeira.
Com uma agulha de coser
mato o monstro inominável.
Quando me rio fico encurvado
na poça ao fundo da eira.

Quando durmo vejo a luz
presa de um doce narcótico,
com pérolas em cada mão
habito as entranhas de um búzio,
eu sou a fonte do vale
e o leito da presa arisca,
– ou a lua se inclina
a morrer para lá da encosta.
Quando durmo vejo a luz
presa de um doce narcótico.

in Resistir ao tempo antologia de poesia catalã (edição bilingue), organização e tradução do catalão de Àlex Tarradellas, Rita Custódio e Sion Serra Lopes, Assírio & Alvim, junho 2021, página 215

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