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Escrever no céu por Charles Tomlinson

Escrever no céu por Charles Tomlinson

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Três jatos riscam o céu para oeste:
os rastos começam a desfazer-se:
o terceiro, o último a partir,
sobe, paralelo ao céu de março,
traçando uma linha branca bem definida:
escrita no céu como uma incisão,
tal precisão cirúrgica define
a milha que o separa dos outros,
que desapareceram, deixando para trás
apenas os seus rastos, agora fantasmagóricos,
que ainda se mantêm àquela altitude e traçam
a sua direção com uma nitidez que se desvanece:
o céu fica mais alto com a sua passagem,
enquanto o terceiro avião percorre a sua extensão.
O azul nu, por si só, nunca teria revelado
aquela curvatura abobadada por cima de nós,
já a escapar à geometria daquele lugar,
enquanto o céu volta a abrir-se, fresco dossel,
prado celeste, que não precisa de medida,
apenas de um olhar atento, de um ouvido
que de repente percebe que, ao passarem,
nenhum som acompanhou a chegada ou o desaparecimento,
tão altas eram as suas rotas de voo num céu
que desde então continua a apagar os rastos,
deixando ali uma página limpa para o acaso
espalhar os seus hieróglifos em desagregação.

tradução PML

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